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Turismo sustentável ganha força e consolida novo padrão de competitividade no setor
Imagem: Freepik
Tendência abrange desde regeneração ambiental a contribuição para valor de marca
Muitos empreendimentos e projetos turísticos estão ampliando investimentos em tecnologias verdes, governança e conexão com comunidades locais, uma vez que o perfil de viajante mais consciente e exigente tem redefinido as prioridades do setor.
Assim, embora as experiências e serviços de alta qualidade continuem sendo o destaque dos empreendimentos, outras ações de sustentabilidade também se tornam indispensáveis, especialmente para os grandes grupos, que devem se manter como referência em todos os aspectos da hospitalidade.
A vice-presidente sênior de sustentabilidade, comunicação e relações institucionais da Accor Américas, Antonietta Varlese, explica que a marca tem uma estratégia global para isso e que se orienta por quatro pilares: pessoas, estadia, alimentação e explorar.

“Sustentabilidade não é uma tendência passageira, faz parte do propósito do Grupo e está integrada desde a concepção arquitetônica dos hotéis até a gestão diária das operações.”
Antonietta Varlese
“Isso significa que a sustentabilidade influencia como projetamos os hotéis, como consumimos água e energia, como operamos nossos restaurantes, como nos relacionamos com fornecedores, como capacitamos nossos colaboradores e como trabalhamos em conjunto com as comunidades, privilegiando mão de obra local e apoiando empreendedores locais”, conta Varlese.
Já na Aviva, a agenda é alinhada ao Pacto Global da ONU e à Ambição 2030, além de permear, de forma transversal, o planejamento estratégico da companhia, como conta Neide Tavares, especialista em ESG e gerente de experiência em sustentabilidade do grupo.
“Para isso, contamos com o Balanced Scorecard, um método que transforma nossa estratégia em objetivos de negócio e indicadores de desempenho organizados em quatro perspectivas, que, por sua vez, são desdobrados desde o Comitê Executivo até as lideranças de 1ª base. O alcance e a mensuração das metas mensais da liderança estão atrelados à bonificação anual”, detalha.

“Também temos um indicador de ‘Aderência ESG’, que mede o grau de cumprimento das áreas com as ações e os projetos de responsabilidade ambiental, social e de governança.”
Neide Tavares
Comportamento do viajante e experiências sustentáveis
O comportamento dos viajantes tem sido um dos principais motores na transformação dos projetos e das experiências turísticas com foco em inovação e sustentabilidade. Ou seja, com uma relação clara de oferta e demanda, os projetos de hospitalidade que ficarem de fora desse processo tendem a perder hóspedes e dinheiro.
“O aumento da consciência ambiental, a busca por destinos mais naturais vinculados ao bem-estar físico e emocional, além da alta demanda por viagens com propósito e experiências exclusivas e personalizadas, vêm impulsionando uma mudança na forma como as empresas do setor de hotelaria e turismo têm incorporado esses atributos de inovação e sustentabilidade em seus planejamentos, comunicação, posicionamento e operação”, destaca Tavares.
Os dados reforçam essa mudança clara no comportamento do consumidor e no papel da sustentabilidade dentro do turismo e da hotelaria. Mais do que um discurso institucional, as práticas sustentáveis passaram a ser um critério estratégico para marcas e empreendimentos do setor.
“Segundo o estudo ‘Engaging Travellers to Embrace More Sustainable Behaviours’, realizado pela Accor em parceria com a Booking.com e a Universidade de Surrey, 59% dos viajantes filtram suas escolhas de hospedagem por critérios sustentáveis no momento da reserva. Esse dado mostra que sustentabilidade deixou de ser uma demanda de nicho e passou a ser um fator decisivo de escolha”, evidencia Varlese.
Regeneração, fortalecimento econômico e parcerias
Para as especialistas, o planejamento bem feito do turismo é capaz de promover a regeneração de ecossistemas, distribuir renda e fortalecer comunidades. Mas para isso, as empresas devem adotar modelos que integrem conservação ambiental e valorização cultural.
“Na Accor, trabalhamos essa agenda de forma prática, colaborando com outras lideranças do setor e também com o setor público, incentivando o contato responsável com a natureza, apoiando projetos de biodiversidade e priorizando cadeias produtivas regionais, com a compra de produtos locais, o que gera renda no próprio destino e reduz impactos ambientais relacionados a transporte e logística”, explica.
A executiva da Aviva também comenta que modelos eficientes incluem o desenvolvimento de ações e projetos estruturados em comitês consultivos e deliberativos, comissões executivas, conselhos municipais e associações de classe.
“Esses mecanismos de governança fortalecem a parceria entre setor privado e poder público, pois permitem alinhar prioridades, direcionar esforços e otimizar recursos para atender as necessidades mais latentes das comunidades locais e do meio ambiente”, aponta Tavares.
“Quando há esse alinhamento e a possibilidade de captação conjunta de recursos pelos dois setores, o impacto das iniciativas é ampliado.
Neide Tavares
Contribuição para o valor da marca
A executiva da Accor Américas pontua que hoje, iniciativas de sustentabilidade estão diretamente conectadas à percepção de valor, tanto para o cliente, que busca experiências responsáveis, quanto para investidores, cada vez mais atentos ao desempenho em ESG.
“Ainda de acordo com o estudo da Accor, 80% dos viajantes dizem que viajar de forma mais sustentável é importante para eles e 43% estão dispostos a pagar mais por opções mais sustentáveis.”
Antonietta Varlese
Como estratégia para alcançar esse público, a Aviva aderiu práticas como a gestão inteligente de água, energia e resíduos, além da redução da pegada de carbono e, pelo segundo ano consecutivo, compensou 100% das emissões de CO².
“Essas iniciativas mostram ao mercado que a companhia não apenas fala sobre sustentabilidade, mas também a utiliza na prática, o que fortalece nossa reputação institucional, a credibilidade perante consumidores e a confiança de investidores e parceiros”, defende Tavares.
A especialista ainda acrescenta que além da percepção positiva, os benefícios dessas tecnologias e da gestão eficiente de recursos promovem redução de custos, aumentam a competitividade por preço e permitem pleitear selos e certificações sustentáveis, o que eleva ainda mais a reputação da marca e abre portas para novos nichos de mercado.
- Por Maíra Sobral – Coordenadora de conteúdo na ADIT Brasil
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