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Feriado de Carnaval impacta ocupação e faturamento de destinos mais agitados aos menos festivos
Flickr | Riotur
Rio de Janeiro e Maceió aparecem como favoritos de turistas que procuram destinos de praia e sol.
Segundo dados das secretarias de turismo estaduais, divulgados pelo Ministério do Turismo, mais de 65 milhões de pessoas devem sair às ruas para comemorar o Carnaval em todo o Brasil. Somente no Rio de Janeiro, a previsão é de mais de 8 milhões de foliões do mundo todo festejando juntos.
Alfredo Lopes, presidente do Hotéis Rio, Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro, conta que a cidade carioca, uma das principais vitrines internacionais do país e não só durante o Carnaval, deve ultrapassar os 80% de ocupação hoteleira.
“A segunda prévia das nossas pesquisas feitas para o período do Carnaval, divulgada no dia 30 de janeiro, mostra que a média de ocupação hoteleira na cidade, de 14 a 17 de fevereiro, está em 83,70%. No entanto, nossa expectativa é superar o ano passado, e com certeza vamos ter um crescimento dos turistas internacionais”, destaca Lopes.
Entretanto, o fluxo de turistas nessa época do ano não gira somente em torno das festividades. Um levantamento da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) aponta que Rio de Janeiro (RJ) e Maceió (AL) dividem a liderança das buscas em destinos de praia e sol, seguidos por Porto Seguro (BA), Salvador (BA) e Porto de Galinhas (PE), que aparecem juntos na segunda posição.
Em Maceió, uma das capitais que conta tradicionalmente com prévias carnavalescas mais animadas e com uma programação mais leve para o feriadão, a data acaba sendo ideal para aumentar a taxa de ocupação por turistas que querem fugir da agitação, como afirma Luiz André Vasconcelos, diretor de marketing da MME.
“Ao contrário do que muitos pensam, o mês de fevereiro, apesar de ser nosso verão, umas das melhores épocas para viajar, o período é de média temporada por estarmos saindo das férias escolares. Por isso, o carnaval é o momento em que podemos crescer exponencialmente dentro do mês”, explica o executivo.
Para depois, no entanto, o cenário pode ser muito variável. O presidente do Txai Resorts, José Romeu Ferraz Neto, cita fatores como o grande número de feriados, a realização da Copa do Mundo e o calendário eleitoral como variáveis que podem impactar o fluxo turístico e a ocupação ao longo do ano.

“Há três pontos que a gente ainda não sabe como vão afetar o fluxo do turismo no país. Tem muito feriado, mas tem eleição, tem Copa do Mundo. É um ano que exige atenção.”
José Romeu Ferraz Neto
Impactos no ticket médio e faturamento
Sobre o ticket médio, uma pesquisa sobre as tendências de Carnaval para 2026, realizada pela Sympla, plataforma de eventos, revela que 14,9% dos entrevistados planejam gastar entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, enquanto 6,8% admitem ultrapassar os R$ 3 mil. Ou seja, além da ocupação, a oportunidade é excelente para garantir um bom faturamento.

“Essa data é a mais procurada por se tratar de um feriado prolongado. Os turistas que buscam sossego, vem pra Maceió e com maior demanda, podemos cobrar mais.”
Luiz André Vasconcelos
Se o impacto é positivo na capital alagoana — fora da rota carnavalesca —, em uma cidade como o Rio, que tem previsão de colocar mais de 462 blocos na rua, além dos dias de desfile de escolas de samba na Marquês de Sapucaí, as reservas de passagens de ônibus e avião aumentaram cerca de 293%, conforme dados da Omio, empresa alemã de passagens.
“O Carnaval é a principal festa do Rio de Janeiro, pelo maior tempo de estadia dos hóspedes, quando comparado ao Réveillon. Essa maior permanência resulta em hotéis cheios e bons resultados para a cadeia do turismo – bares, restaurantes e shoppings -, com benefícios para o faturamento dos hotéis e a arrecadação da cidade”, observa o presidente do Hotéis Rio.
Perspectivas para o restante de 2026
Apesar do otimismo com o fluxo de turistas no Carnaval e na alta temporada, Ferraz Neto avalia que enquanto 2025 marcou a consolidação aos níveis pré-pandemia, 2026 ainda inspira cautela.
Segundo ele, o desempenho recente do setor indica normalização da ocupação, após um período atípico durante a pandemia, quando os resorts chegaram a registrar aumento na demanda por oferecerem experiências mais isoladas.
“O ano de 2025 trouxe uma volta à normalidade do que era antes da pandemia em relação a ocupação e procura por esse modelo de hospedagem. Durante a pandemia, os resorts cresceram bastante, porque é uma solução das pessoas estarem fora de casa de maneira mais agradável e segura, mas agora retornamos aos níveis históricos”, conta Ferraz Neto.
Portanto, passado o Carnaval e a alta temporada de férias e verão, é importante que os empreendimentos tenham estratégias bem elaboradas para manter tanto o padrão de qualidade dos serviços quanto a procura dos hóspedes. Lopes acredita que a base dessa tática está no atendimento bem feito.

“Manter afiado o treinamento das equipes de atendimento, isso é o que garante a qualidade dos nossos serviços e a satisfação do nosso cliente final.”
Alfredo Lopes
Por outro lado, apesar do crescimento do turismo doméstico, o presidente do Txai Resorts avalia que o Brasil ainda está aquém do seu potencial no mercado internacional. Para ele, a imagem do país no exterior, especialmente no que diz respeito à segurança, continua sendo um entrave para ampliar o fluxo de turistas estrangeiros.
“Essa é uma época que ajuda a financiar o restante do ano e nós poderíamos ser um player internacional muito mais forte. Mas a questão da segurança ainda pesa muito na percepção externa”, afirma.
Um outro fator importante para que esses locais continuem em alta, é ter uma malha aérea eficiente, que torne o acesso ao destino mais fácil, com opções de origem para todo o país e até mesmo internacionais.
“Além do básico, que é melhorar a infraestrutura e manter nossa cidade bacana para receber o turista, devemos promocionar o destino para o Brasil e o mundo. Outro ponto importante é trazermos sempre mais voos para Alagoas. Nosso estado e cidade tem crescimento e é muito importante esse crescimento aéreo proporcional”, completa Vasconcelos.
- Por Maíra Sobral – coordenadora de conteúdo na ADIT Brasil
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