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Inteligência artificial já transforma vendas, atendimento e operação hoteleira, enquanto empresas ainda se adaptam
Para não perder relevância nas buscas feitas por IA, plataformas adotam novas estratégias para alcançar o cliente online
Da identificação do cliente ideal ao atendimento, passando pela análise de dados e automação de tarefas, a tecnologia começa a alterar uma jornada que, durante décadas, foi baseada em processos predominantemente humanos. O mercado de hospitalidade já entendeu que a IA, por exemplo, é uma de suas principais aliadas nessa nova era, onde o hóspede busca serviços muito mais personalizados e ágeis.
Isso se reflete na forma como determinados anúncios e promoções alcançam o potencial cliente, mas também em tudo aquilo que ele já chega esperando encontrar dentro do hotel — uma vez que todas as informações do empreendimento, avaliações de hóspedes anteriores e resultados construídos por inteligência artificial são acessados facilmente.
O CSO da Eindom Empreendimentos, Fernando Vogt, explica que o momento atual tem, historicamente, reunido o máximo de tecnologias já existentes para favorecer a experiência dos usuários no meio online, o que requer muita atenção dos players para o que todo esse conjunto de ferramentas pode entregar.
“A gente está passando por uma revolução tecnológica, talvez a mais importante dos últimos 50 anos, que é a introdução da inteligência artificial, junto com uma infraestrutura de energia e telecomunicações que está avançando muito”, ressalta Vogt.
“Então, a tecnologia vai impactar o processo muito fortemente desde a captação do cliente, da venda, do processo de pós-venda, da entrega e principalmente da experiência do cliente posteriormente.”
Fernando Vogt
Na prática, isso começa por uma simples busca no navegador, ainda nos primeiros passos do planejamento de uma viagem. O cliente digita o destino e a junção de algoritmo e IA já entregam uma sugestão de hospedagem, restaurante, passeios e até indicações de voos e transfers. Apesar da praticidade, Rony Stefano, fundador da Audaar, alerta sobre o impacto dessa mudança no comportamento do consumidor.
“O consumidor tinha um papel ativo nas buscas e agora está muito mais passivo, porque com a inteligência artificial, ele nem precisa elaborar muito uma pergunta e já vem tudo de mão beijada”, enfatiza Stefano.
“Então, está mais fluido, mas se você não sabe se a qualidade da resposta da inteligência artificial é adequada, não dá para ir aceitando tudo aquilo que sai sem muita checagem.”
Rony Stefano
Apesar disso estar diretamente ligado à conduta do usuário e a educação sobre checagem de resultados e uso consciente da IA, são os empreendimentos que adotam, a partir de agora, uma função muito mais ativa no alcance do seu público.
Um novo processo de vendas
Cada segmento da hospitalidade deve estudar e entender os melhores canais, posicionamentos e conteúdos para chegar até o hóspede. É justamente a personalização desse primeiro contato que vai ocasionar melhores desempenhos online, com leads mais qualificados e mais interessados de fato no serviço daquele empreendimento.
“Por exemplo, a venda de multipropriedade e timeshare é uma venda com captação ainda feita por pessoas. Esse processo vai passar por uma transformação profunda, usando as bases de dados, a inteligência artificial, para você achar o melhor cliente, para melhorar a qualidade da venda e, consequentemente, ter vendas melhores e menos distrato”, declara o CSO da Eindom.
Segundo Vogt, com as bases de dados, será possível mapear todos os atributos que hoje já compõem a persona ideal para o empreendimento. Dessa forma, além de reduzir o esforço na abordagem e localização do seu público, o tempo de realização da venda também deve ser encurtado, ainda aumentando os índices de satisfação e sucesso.
“Há um processo de transformação profunda no entendimento de quem é o seu cliente, qual é o perfil, renda, profissão, status, vontade de viajar, vontade de tirar férias, e ele vai chegar também tendo entendimento do seu empreendimento, do que que você propõe, da qualidade do seu negócio”, completa.
Por essa razão, a tendência é que os empreendimentos passem a investir muito mais em ferramentas de tecnologia e em mídias sociais e digitais. Esses canais precisam ser completos e atualizados, dando a devida atenção ao que outras empresas do segmento estão fazendo, garantindo a qualidade e relevância do que é publicado, como diz Stefano.
“As empresas que não estiverem alimentando os sistemas de inteligência artificial ou fazendo um bom conteúdo online vão acabar perdendo mercado. Elas têm que se preparar com um agente de IA, tem que ter um blog, escrever artigos e criar conteúdo para que a IA perceba sua presença online”, afirma o executivo.
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