Artigos / Matérias
Presença de lideranças femininas está redesenhando mercado imobiliário brasileiro
Imagem: Freepik
Executivas destacam a importância do espaço e conexões em grupos e comissões como a ADIT Mulher
A participação feminina na gestão de empresas, no desenvolvimento urbano e na condução de projetos que unem técnica e propósito vem moldando um momento mais diverso e conectado às pessoas no mundo corporativo.
Mais que isso, mulheres em cargos de liderança têm impulsionado o mercado imobiliário do país, especialmente em aspectos de inovação e amadurecimento de temas que vão além do âmbito financeiro – e também sem deixá-lo de lado, como afirma Mariangela Machado, diretora da Focus Trading Assessoria Empresarial e Imobiliária.
“Mulheres líderes impulsionam a percepção dos cinco sentidos, e não apenas valorizam o foco na capilaridade financeira, a qual também consideram essencial aos negócios. É através das mulheres que o mercado imobiliário começou a dar maior ênfase em seus projetos, nos temas como biofilia, saúde mental, bem-estar e outros”, diz a executiva.

Outra característica observada por Oriana Rey, sócia-diretora da Visões da Terra, empresa de soluções socioambientais, é a determinação e resiliência em atender objetivos estabelecidos e a iniciativa para driblar problemas e situações que possam prejudicar o resultado proposto.
“Quando sou contratada para desenvolver soluções que promovam um diálogo respeitoso e construtivo com as comunidades locais, costumo notar que as lideranças femininas nos procuram de forma proativa, ou seja, antes que surja qualquer problema. Elas demonstram um interesse genuíno em construir o masterplan a partir da cultura local, pensando desde o início do planejamento urbano em como o projeto irá se relacionar com a comunidade já existente no local”, destaca Rey.
Olhar feminino como diferencial de liderança
Ao contrário do que foi pregado por muitos anos, são justamente as particularidades da personalidade feminina que criam uma excelente oportunidade para desenvolver lideranças. Afinal, as habilidades antes vistas apenas como destinadas à organização do lar e criação dos filhos, são imprescindíveis para qualquer negócio.
“Liderar é o ato de conduzir, comandar, dirigir e gerir. Mulheres fazem isso muito bem. Enfim, mulheres têm influência não somente na aquisição de imóveis, com seus desejos de transformá-los em lar, mas passam a interferir diretamente em sua concepção”, defende Machado.
Gisele Borges, sócia-fundadora do escritório Gisele Borges Arquitetura e coordenadora da comissão ADIT Mulher, complementa essa reflexão com um paralelo da psicanálise e seu entendimento sobre o papel tanto da mulher quanto do homem na estrutura social.
“Na psicanálise, o pai representa a lei, o limite e a interdição, a mãe desempenha a função de acolhimento, nutrição e de introdução inicial da criança no mundo. Antes mesmo da “lei do pai”, é o desejo da mãe que estrutura a realidade psíquica da criança, ou seja, a mãe não é só fonte de alimento e afeto, mas também aquele ser desejante, que olha e fala, e cuja atenção dá sentido ao sujeito”, diz Borges.

“Gosto da ideia de que um olhar complementa o outro, soma. Nesse sentido, tenho percebido grandes contribuições das mulheres na construção de cidades mais humanizadas.”
Gisele Borges
Machado ainda complementa que as mulheres devem continuar mostrando para a sociedade e aos negócios o seu valor como instrumento indispensável, a partir da resiliência e competência.
“Empresas bem-sucedidas são aquelas que estão abertas a escutar e a buscar a diversidade, em suas mais diversas interações, e especialmente a participação das mulheres em todas as camadas e áreas empresariais, pois são ímãs da cocriação de ambiência, de cuidar e de gerir processos – que vai muito além do desejo de conceber ou de comprar”, destaca.
Conexões e espaços em ambientes de predominância masculina
Contudo, mesmo que a capacidade feminina já esteja provada para o mundo dos negócios, alguns setores, por serem historicamente preenchidos por homens, como é o caso do mercado imobiliário, podem ser mais complexos para mulheres se conectarem.
“É essencial que todos os profissionais do setor, independentemente do gênero, reconheçam que o mercado imobiliário tem uma tradição predominantemente masculina e reflitam sobre ações concretas para promover mudanças. Ignorar o valor da diversidade é adotar uma postura ultrapassada”, pontua Rey.

Machado analisa, entretanto, que espaços de maior liderança já começaram a ser construídos com mais diversidade de gênero, mesmo que ainda exista uma maior predominância de homens como donos e CEOs dos negócios.
“Somos poucas proprietárias ou no comando de empresas do mercado imobiliário, mas não somos poucas na gestão de empresas ou a ocupar cargos de destaque em nosso setor, mesmo que sejam de coordenação, gerência e diretoria”, ressalta a diretora da Focus Trading.
Uma vez que esse movimento de lideranças femininas já existe, as especialistas acreditam que atuar em conjunto, buscando grupos e projetos que proporcionem o acolhimento e conexão é fundamental e pode influenciar de forma muito positiva na jornada profissional e construção de carreira.

“Considero fundamental que as mulheres busquem se conectar cada vez mais, como acontece na iniciativa da ADIT Mulher. Esses encontros proporcionam oportunidades de apoio mútuo, de contratação e criação conjunta de novos espaços no mercado.”
Oriana Rey
Para Borges, que atuou na fundação do grupo que originou a atual AsBEA-MG, é preciso entender o cenário e decidir como atuar, mesmo diante das dificuldades impostas. Para ela, esse passo é indispensável para de fato transformar a realidade desejada.
“O melhor caminho para conquistar espaço é fazendo e mostrando competência. Participar em grupo é mais potente. Nesse sentido acredito que a participação das mulheres nas associações é um grande caminho”, afirma a coordenadora da comissão.
Estímulos para a alta liderança feminina
Na prática, mais do que discutir sobre os espaços e pautas femininas, é preciso aproveitar com sabedoria as inúmeras possibilidades que podem ser encontradas dentro do setor. Isso significa saber se posicionar e expor suas ideias e propósitos em ocasiões que representem um bom potencial para negócios.
“Sempre fui muito questionadora e combativa. Sabe aquela coisa de você sabatinar as afirmações para saber até onde elas se sustentam? Descobri que me manifestar sobre o que penso é um grande passo para outras pessoas me conhecerem melhor”, enfatiza Borges.

A arquiteta sugere também que escrever artigos, participar de podcasts, contribuir com grupos de trabalho, não focar somente no objeto fim da empresa, mas fazer conexões, dará sustentação para o crescimento profissional. Oriana reforça a relevância dessas participações.
“A presença de mulheres experientes em posições de destaque contribui para que suas vozes e reflexões sejam reconhecidas e incorporadas mais rapidamente pelo mercado imobiliário, que ainda carrega marcas de um ambiente predominantemente masculino”, comenta a executiva da Visões da Terra.
Segundo Machado, o avanço das mulheres em cargos de liderança depende menos da concessão de espaços e mais da atitude de conquistá-los, visto que a força feminina no mercado imobiliário está justamente na capacidade de transformar desafios em oportunidades.

“Mulheres não esperam por oportunidades. Mulheres as buscam! Se empresas ou instituições abrirem espaços melhor será, porém, as mulheres não precisam de portas e nem de janelas abertas, pois elas sabem abri-las.”
Mariangela Machado
Nesse cenário, o papel da ADIT Brasil é fundamental para ampliar a visibilidade e o protagonismo feminino no setor imobiliário. Borges frisa que a entidade, por sua relevância e credibilidade, tem o poder de abrir caminhos e inspirar mais mulheres a ocuparem posições de destaque no mercado.
“A ADIT é uma das principais associações de fomento e formação de mercado imobiliário. É palco para mostrar bons trabalhos, é respeitada, transmite autoridade no assunto. Abrir espaço para que mais mulheres participem da associação é uma grande contribuição. A ADIT realiza seis grandes eventos nacionais por ano. Ter a participação de mulheres na curadoria desses eventos é um bom começo”, completa.
- Por Maíra Sobral – Coordenadora de conteúdo na ADIT Brasil
Mais notícias
-
Ciclo de inaugurações revela expansão do setor de resorts e multipropriedades em 2026
-
Especialistas destacam estratégias para garantir viabilidade de projetos em terrenos de marinha
-
Relacionamento contínuo e equipes integradas são destaques na fidelização na propriedade compartilhada
-
Alessandro Cunha conta bastidores do sucesso do Grupo Aviva