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Participantes da Missão Técnica China revelam aprendizados em hospitalidade, tecnologia e experiências imersivas
Imersão em Pequim e Xangai conectou líderes brasileiros às principais referências globais em turismo, luxo e inovação, aplicáveis ao mercado nacional
A Missão Técnica China – Hotelaria e Experiência, promovida pela ADIT Brasil entre os dias 24 de março e 6 de abril de 2026, levou empresários e lideranças dos setores de turismo, hotelaria, construção e desenvolvimento urbano a uma imersão nos principais polos de inovação e hospitalidade do país asiático.
Com visitas realizadas em Pequim e Xangai, a iniciativa foi coordenada por José Ricardo Luz, Co-Chairman & CEO da LIDE China, e reforçou o intercâmbio entre os mercados brasileiro e chinês, oferecendo uma agenda intensa de aprendizado, networking e benchmarking internacional.
Para Alejandro Moreno, vice-presidente de turismo da ADIT Brasil, a experiência vai além do aspecto técnico e se conecta também ao potencial de expansão do turismo global. O empresário destaca a relevância desse tipo de missão para quem também desenvolve projetos urbanísticos e de hospitalidade.

“A gente tem poucas oportunidades como essa de conhecer coisas tão incríveis, onde você consegue ver o projeto, a estrutura, a operação, e aqui está tudo pronto para os meus amigos brasileiros, investidores e todo o mundo vir a conhecer”, diz o vice-presidente.
Ao longo da programação, os participantes conheceram empreendimentos icônicos e referências globais, como o Qianmen Mandarin Oriental e o Shanghai Quarry Hotel, além de experiências em grandes parques temáticos, como a Disneyland Shanghai e a Legoland.
A missão também incluiu a participação na Hotelex Fair, considerada a maior feira internacional de hospitalidade da Ásia, e encontros institucionais com representantes da Embaixada do Brasil em Pequim, ampliando o diálogo entre os países.



Experiência e impressões
Kardec Borges, diretor executivo da Unyt Arquitetura, conta que, apesar de ter visitado a China na última década, a velocidade de transformação do país e os impactos diretos na indústria foram alguns dos aspectos que mais surpreenderam ao longo da missão.
“Ao longo desses últimos 10 anos, para quem já veio antes e veio agora, vê uma diferença cultural muito grande, mas nos termos da hotelaria se vê o quanto eles investiram pesado na indústria da construção. Como é disruptivo a forma construtiva que a China tá ensinando para o mundo, isso é um dos pontos que mais acho interessante”, ressalta o arquiteto.


Em um dos momentos do roteiro, além da visita técnica, os participantes ficaram hospedados no Shanghai Quarry Hotel, empreendimento cinco estrelas, de luxo, construído em uma pedreira abandonada a cerca de 35 km de Xangai. O hotel possui 18 andares, sendo 16 abaixo do nível do solo e dois submersos em um lago, com restaurante subaquático e shows de luzes noturnos.
Samuel Goldstein, sócio da Eindom Empreendimentos, enfatiza o nível de inovação associado à qualidade do serviço oferecido, especialmente pela capacidade de unir engenharia complexa, tecnologia de ponta e excelência operacional em projetos fora do convencional.
“Eu fiquei muito impressionado com a qualidade dos projetos em que a gente esteve aqui. Toda essa tecnologia, os monumentos, uma obra dessa aqui, inimaginável, dentro de uma pedreira, num lago, ainda com 30 metros de profundidade para baixo, com a qualidade de serviço que a gente está tendo aqui, é impressionante”, salienta Goldstein.



Aprendizados e lições
A China é mundialmente conhecida pela sua tecnologia avançada, por outro lado, o setor de hospitalidade carrega uma grande dependência do fator humano para a operação do empreendimento e da sensibilidade das necessidades e preferências do hóspede para gerar conexão e pertencimento.
Nesse aspecto, os participantes apontam para um amadurecimento do país asiático no uso da tecnologia como facilitador dos processos operacionais — ainda que a mão de obra humana continue sendo indispensável e muito requisitada em diferentes etapas do projeto, como conta o executivo da Unyt.
“Por mais que a mão de obra aqui seja, vamos dizer, abundante em relação ao que a gente tem no Brasil, a gente viu uma aplicação da tecnologia muito interessante em processos. Isso que hoje ainda é um grande problema nas operações no Brasil, a gente viu aqui muito bem estabelecido, e não é caro alinhar esses dois pontos, como a gente imaginava”, explica Borges.


Para Goldstein, a excelência dos hotéis foi o ponto alto da missão, uma vez que a imersão vivida poderá ser adaptada e replicada para os projetos em desenvolvimento no Brasil. O empresário frisa a transformação da hospitalidade chinesa como um dos aprendizados que podem representar os próximos passos e avanços dentro do turismo nacional.
“A gente ouve muito falar, mas quando você vem aqui e vê o padrão dos hotéis que a gente visitou, eu que pelo menos estive na China a 20 anos atrás, hoje é outro mundo. A qualidade hoteleira é de primeiríssima, o serviço e o atendimento que a gente está tendo, tudo que a gente está vendo em termos de estrutura hoteleira impressionam. A gente com certeza leva lições do que a gente tá aprendendo aqui para a implementação no Brasil”, revela.

Conhecer empreendimentos desse porte, segundo Borges, faz toda a diferença para quem desenvolve projetos em outros locais do mundo. Para ele, esse conhecimento é indispensável para criar novos negócios e métodos que sejam de fato competitivos em inovação ao mesmo tempo que são eficientes.
“É uma grande lição para quem vem para cá com esse olhar do operador e construtor, em um mercado altamente competitivo. Esse é o tipo de missão que a ADIT tem que ter sempre, porque é muito disruptivo, te tira de uma visão tradicional do mercado”, completa Borges.
- Por Maíra Sobral – Coordenadora de conteúdo na ADIT Brasil
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