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Como o turismo e a hotelaria estão se reconfigurando para o futuro próximo
Mudanças no perfil e interesses dos viajantes são pontos importantes da transformação do segmento
O perfil do viajante mudou radicalmente após a pandemia. O hóspede contemporâneo busca experiências personalizadas, conexões autênticas e propósito em suas viagens, o que exige das marcas hoteleiras uma abordagem mais emocional e centrada no indivíduo.
A partir dessa análise, durante o webinar “Macrotendências para a hotelaria e turismo“, realizado pela ADIT Brasil, nessa terça-feira (11), Pip Seger e Nathalia Braga, d’O Cérebro, e Paulo Mancio, da CBRE, discutiram as grandes transformações que estão redefinindo o setor nos próximos anos.
Segundo os facilitadores, o futuro da hotelaria e do turismo será definido por quem souber equilibrar sustentabilidade e inovação, pilares que, somados, devem garantir relevância e longevidade no novo cenário global para a hospitalidade.
“A gente vê uma mudança super importante no turismo e na hotelaria, no impacto desse novo hóspede e as demandas que ele está trazendo. E o brasileiro aprendeu a viajar regionalmente, aprendeu a curtir muito a questão do movimento mundial do entretenimento”, destaca Mancio.
A gravação do webinar reúne as principais discussões sobre o futuro da hotelaria e do turismo, com análises aprofundadas dos especialistas. Assista:
Ao longo da conversa, também foi apresentado o relatório “Brands for the Future – Edição Turismo e Hotelaria 2026”, elaborado pela consultoria O Cérebro. O estudo revela como o viajante contemporâneo passou a desejar vivências mais significativas e sensíveis, marcando uma ruptura com os ciclos lineares e previsíveis que dominavam o setor até pouco tempo atrás.
Paralelamente, a hospitalidade para as novas gerações, em especial millennials e geração Z, passa por entender valores como flexibilidade e tecnologia, além da ascensão do turismo do bem-estar, que transforma viagens em jornadas de autoconhecimento.
“Muitas tendências que surgiram são paradoxais. Está todo mundo viajando, mas ao mesmo tempo todo mundo só quer ficar no computador. Então, a gente está na crise da solidão, mas ao mesmo tempo a gente nunca precisou tanto ver outras pessoas e curtir experiências ao vivo”, enfatiza Seger.

“Realmente, a gente está em um cenário extremamente complexo e que se a gente sabe exatamente em que pauzinho a gente mexe, a gente consegue trazer as pessoas para perto e desenvolver produtos e serviços que façam sentido para as pessoas”.
Pip Seger
Essa dualidade reflete um novo tipo de turista, que não busca apenas conforto, mas sim equilíbrio entre o funcional e o sensorial, o racional e o intuitivo. Entre as principais macrotendências mapeadas pelo estudo, aparecem a valorização dos sentidos como ferramenta de encantamento.
“A gente fala dos cinco sentidos como um todo. Quem trabalha com hotelaria sabe a importância desse estímulo, muitas vezes a gente vai para um lugar para experimentar a gastronomia, mas como esse lugar me marca visualmente ou pelo que eu estou escutando e tudo mais?”, indaga Braga.

“É interessante ter esse olhar para o indivíduo e para suas necessidades, para que ele tome decisões do que quer, mas também para que a gente possa entregar opções que façam mais sentido para ele.”
Nathalia Braga
Mancio reforça a importância de embasar decisões estratégicas em dados e pesquisas consistentes. Para ele, compreender o futuro da hospitalidade vai muito além de apenas replicar tendências, mas exige um olhar atento sobre o comportamento humano e suas motivações mais profundas.

“Não tem achismo aqui, é muito estudo, muito trabalho aprofundado, é entender a psicologia do ser humano, as essências e quais são as principais dores.”
Paulo Mancio
A pesquisa completa, produzida pela consultoria O Cérebro, já está disponível para download gratuito.
- Por Maíra Sobral – Coordenadora de conteúdo na ADIT Brasil
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