Os últimos dados do Banco Central (BC) apontam que o saldo total da Poupança em maio subiu cerca de 2,6%, frente ao mesmo mês do ano passado, de R$ 648,7 Bilhões para R$ 665,5 Bilhões.

O aumento do saldo da poupança e a queda de juros dão novo horizonte para a retomada do crédito imobiliário entre 2018 e 2019. Da outra ponta, a falta de confiança de tomadores e necessidade de ajuste fiscal dos bancos públicos serão obstáculos para o setor.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), Gilberto Duarte de Abreu, a expectativa de taxa básica de juros (SELIC) a 8,5% até o final deste ano e o aumento do saldo da poupança até maio, são “sinais de otimismo” para um mercado que “sofreu muito” com a crise econômica dos últimos dois anos.

“Existem dois lados. O curto prazo ainda mostra um momento difícil para o setor, mas no médio e longo prazo, as perspectivas de financiamento já começam a voltar”, comenta o executivo.

Ele reforça que, nessa linha, a queda dos juros vai deixar o crédito mais barato e acessível para o consumidor, enquanto a poupança representa um dos “principais insumos” do mercado.

Os últimos dados do Banco Central (BC) apontam que o saldo total da poupança em maio subiu cerca de 2,6% em maio frente igual mês do ano passado, de R$ 648,7 bilhões para R$ 665,5 bilhões.

“Essas são as principais variáveis para ver esse mercado andando. A reação ainda é tímida e sem nenhum volume expressivo, mas já devemos experimentar melhoria entre o segundo semestre deste ano e 2018”, acrescenta Abreu.

Da outra ponta, porém, ainda há receio de que a crise política e a incerteza gerem insegurança por parte de empresas e consumidores e maior aversão ao risco nos bancos.

“O ambiente do pós-delação [do Temer] acalmou, mas o comprometimento de renda e o governo mais fraco para passar as reformas ainda impactam na dinâmica de oferta e demanda. Vemos os juros caindo, mas nenhum movimento vigoroso nesse sentido”, explica o professor de economia da Saint Paul Escola de Negócios, Alan Ghani.

Já para o advogado especialista em direito imobiliário da Tapai Advogados, Marcelo Tapai, a falta de financiamento e a demanda menor também devem minar a retomada.

Também segundo dados do BC, as concessões para essa linha de empréstimo caíram 8,5% para pessoas físicas em abril – ante o mesmo período de 2016 – (de R$ 6,89 bilhões para R$ 6,303 bilhões) e 60,1% para pessoas jurídicas na mesma comparação (de R$ 2,014 bilhões para R$ 802 milhões).

“Os bancos estão mais criteriosos e, de maneira geral, falta dinheiro no mercado para o crédito imobiliário. Temos a contramão do saldo da poupança, mas ainda falta muito para a conta fechar”, diz Tapai.

Ele reforça que as instituições financeiras públicas, em especial a Caixa Econômica Federal, “precisam decidir seu comportamento de visar lucro ou de ser órgão político”.

Na mesma linha, a Caixa suspendeu, pela segunda vez no ano, o financiamento de imóveis com a linha pró-cotista, que utiliza recursos do FGTS e oferece juros mais baixos no mercado. A Caixa nega que a suspensão seja relacionada aos saques das contas inativas. Ao mesmo tempo, o banco também noticiou seu “Feirão da Casa Própria”.

“É preciso parar de achar que a Caixa será a salvação da lavoura. Quem já passou por problemas, não vai ter coragem de se aventurar tão cedo”, completa o advogado.

Fundo Imobiliário – Outro ponto importante abordado pelos especialistas, por sua vez, foi o acordo assinado com a Caixa e o Banco do Brasil para a criação de dois fundos imobiliários com lastro em imóveis da União.

A ideia seria vender cotas para investidores e, com a quantia captada, reformar, vender e construir imóveis.

“Isso pode ter algum efeito positivo, mas não será o grande diferencial de retomada. Tudo ainda depende do que veremos em 2018. Se entrar um governo forte, podemos ver algo mais expressivo a partir de 2019, mas caso ao contrário, será apenas mais do mesmo”, conclui Ghani.

 

Por DCI